
Mitos:
Eles estão presentes no nosso cotidiano, sejam modernos ou antigos.
Hoje
vivemos, muitas vezes, em um ambiente de crescente hostilidade, isso, prolifera
mitos e símbolos de nossas forças destrutivas... Livros e filmes que tratam das
piores ameaças do mundo e seus ocupantes param de ser produzidos. “Lendas
urbanas”, são grandemente exploradas pelos autores, sempre com associação a
violência e ao terror gratuitos, impressionantemente, com enorme sucesso.
Examinando os programas produzidos para crianças, o cenário não muda, é
assustador da mesma forma: dinossauros,
robôs, fantasmas e monstros de todo tamanho e natureza, de todos os lugares do
universo, com personalidades frias e destrutivas, assolam o mundo do
entretenimento infantil.
O poder
destruidor do ser humano, sempre esteve presente nos mitos. Se analisarmos essa
essas criações poderíamos avaliar o nível de agressividade individual e social
de cada época. Observar lendas e histórias do passado, nos ajuda a entender
melhor a origem do estresse e da violência. Os mitos mais antigos, mostram que
a violência ou destruição fazem parte da narrativa e sua origem pode ser
esclarecida, ao identificarmos o contexto social da sua criação.
Frakstein,
Drácula e lobisomem, por exemplo, podem ser entendidos como expressões das
transformações do seu tempo. O monstro Frankstein, produto de pesquisa sobre a
eletricidade, é uma alusão clara ao estresse gerado pela tecnologia nascente.
No início do século XIX, o uso da energia elétrica em escala indústria,
representou uma mudança ameaçadora, principalmente ao que se refere à
substituição do trabalho humano, um fator socioeconômico de tensão que sempre
aflige os indivíduos, , quando novos conhecimentos apontam para uma mudança nos
meios de produção.
O Conde
Drácula é um personagem medieval. Na verdade o príncipe Vlad, origem da lenda,
era um senhor feudal, que explorava de forma desumana seus criados. No plano
simbólico, Vlad é o ser que suga o sangue de outro até que só restem carcaças.
O mito, cheio de crueldade, sangue e morte, mostra o estresse causado pela
violência das guerras feudais. Vlad era temido também, porque empalava seus
adversários. No mito, a pessoa mordida por vampiro, torna-se um morto vivo, que
cumpre incondicionalmente a ordem de seu amo e senhor. Convenhamos: poucos
deixam de cumprir as ordens do chefe, sob a ameaça de ser empalado. Esse
vampirismos dos detentores do capital está presente na obra de Marx e na
ideologia socialista, na guerra fria e chega aos nossos dias ainda sem solução
definitiva.
O
lobisomem parece ter relação com o processo de urbanização. Os lobos eram
animais comuns nos campos e nas regiões menos habitadas da Europa (onde surgiu
a lenda) e costumavam atacar no inverno, quando os alimentos praticamente
desapareciam. Os camponeses conheciam bem a agressividade e a ousadia dos lobos
famintos. Com o crescimento das cidades, a fome passou a imperar nos bolsões de
pobreza que se formavam nas periferias das cidades, onde ficavam os camponeses
que migravam em busca de trabalho. Assim como os lobos, escondidos no manto da
noite, os miseráveis atacavam outras pessoas em busca de algo que pudesse ser
trocado por comida. Muita fome pode até estimular o canibalismo, ao menos na
fantasia, e formou-se, então, a lenda do homem que vira lobo para atacar seu
semelhante.
O mito
do lobisomem é apenas um dentre muitos de várias origens, desde esquimós e
tribos africanas até culturas orientais, em que seres humanos podem se
transformar em bichos ou adquirir suas
potencialidades para se defender, ou mesmo atacar o oponente. Tal
universalidade é uma das maiores evidências de como o homem, percebe dentro de
si os vestígios de instintos primários, cerceado ao longo do processo
evolutivo, mas claramente revelados e intensificados na reação de estresse.


