terça-feira, 16 de abril de 2013


Mitos: Eles estão presentes no nosso cotidiano, sejam modernos ou antigos.
            Hoje vivemos, muitas vezes, em um ambiente de crescente hostilidade, isso, prolifera mitos e símbolos de nossas forças destrutivas... Livros e filmes que tratam das piores ameaças do mundo e seus ocupantes param de ser produzidos. “Lendas urbanas”, são grandemente exploradas pelos autores, sempre com associação a violência e ao terror gratuitos, impressionantemente, com enorme sucesso. Examinando os programas produzidos para crianças, o cenário não muda, é assustador  da mesma forma: dinossauros, robôs, fantasmas e monstros de todo tamanho e natureza, de todos os lugares do universo, com personalidades frias e destrutivas, assolam o mundo do entretenimento infantil.
            O poder destruidor do ser humano, sempre esteve presente nos mitos. Se analisarmos essa essas criações poderíamos avaliar o nível de agressividade individual e social de cada época. Observar lendas e histórias do passado, nos ajuda a entender melhor a origem do estresse e da violência. Os mitos mais antigos, mostram que a violência ou destruição fazem parte da narrativa e sua origem pode ser esclarecida, ao identificarmos o contexto social da sua criação.
            Frakstein, Drácula e lobisomem, por exemplo, podem ser entendidos como expressões das transformações do seu tempo. O monstro Frankstein, produto de pesquisa sobre a eletricidade, é uma alusão clara ao estresse gerado pela tecnologia nascente. No início do século XIX, o uso da energia elétrica em escala indústria, representou uma mudança ameaçadora, principalmente ao que se refere à substituição do trabalho humano, um fator socioeconômico de tensão que sempre aflige os indivíduos, , quando novos conhecimentos apontam para uma mudança nos meios de produção.
            O Conde Drácula é um personagem medieval. Na verdade o príncipe Vlad, origem da lenda, era um senhor feudal, que explorava de forma desumana seus criados. No plano simbólico, Vlad é o ser que suga o sangue de outro até que só restem carcaças. O mito, cheio de crueldade, sangue e morte, mostra o estresse causado pela violência das guerras feudais. Vlad era temido também, porque empalava seus adversários. No mito, a pessoa mordida por vampiro, torna-se um morto vivo, que cumpre incondicionalmente a ordem de seu amo e senhor. Convenhamos: poucos deixam de cumprir as ordens do chefe, sob a ameaça de ser empalado. Esse vampirismos dos detentores do capital está presente na obra de Marx e na ideologia socialista, na guerra fria e chega aos nossos dias ainda sem solução definitiva.
            O lobisomem parece ter relação com o processo de urbanização. Os lobos eram animais comuns nos campos e nas regiões menos habitadas da Europa (onde surgiu a lenda) e costumavam atacar no inverno, quando os alimentos praticamente desapareciam. Os camponeses conheciam bem a agressividade e a ousadia dos lobos famintos. Com o crescimento das cidades, a fome passou a imperar nos bolsões de pobreza que se formavam nas periferias das cidades, onde ficavam os camponeses que migravam em busca de trabalho. Assim como os lobos, escondidos no manto da noite, os miseráveis atacavam outras pessoas em busca de algo que pudesse ser trocado por comida. Muita fome pode até estimular o canibalismo, ao menos na fantasia, e formou-se, então, a lenda do homem que vira lobo para atacar seu semelhante.
            O mito do lobisomem é apenas um dentre muitos de várias origens, desde esquimós e tribos africanas até culturas orientais, em que seres humanos podem se transformar em bichos ou adquirir  suas potencialidades para se defender, ou mesmo atacar o oponente. Tal universalidade é uma das maiores evidências de como o homem, percebe dentro de si os vestígios de instintos primários, cerceado ao longo do processo evolutivo, mas claramente revelados e intensificados na reação de estresse.

terça-feira, 9 de abril de 2013



Estresse: O lado negro da força
            Quando muita energia é liberada de uma só vez, ela pode ser usada para o mau, fazendo com que a pessoa fique agressiva, ou mesmo destrutiva para a sociedade. É o “lado negro da força”, que transforma o jovem Anakin no terrível Dart Vader, do épico cinematográfico Guerra nas estrelas. Todos nós também podemos ser vitimas desse lado “obscuro” se não conseguirmos controlar toda a energia que é gerada com o estresse. As consequências podem ser dramáticas: “viramos monstros”, “torcemos o pescoço” do próximo, “atropelamos” os que se colocam na nossa frente no caminho, “acabamos com a raça” dos inimigos. É uma descomunal energia animalesca que surge em um ser que se diz racional... é uma contradição e conviver com ela pode ser muito difícil. Freud, o fundador da psicanálise, teve como grande mérito, identificar a existência dessas forças e apontar os estragos que podem fazer na mente e na vida humana. Psicanalista brilhantes, desde então, tentam esmiuçar esse tema em direções e enfoques diferentes. Mesmo assim, o bicho homem continua a traçar sua evolução do modo mais difícil e estressante para ele mesmo, com exigências que demandam um cruel esforço de adaptação.
            Quando as situações se tornam mais tensas e ameaçadoras, a chance de perdermos a civilidade e nos transformarmos em ferozes animais aumentam. O que é mais curioso, é que esse comportamento na espécie humana, pode se tornar definitivo. O processo estressante vem marcado as pessoas de tal forma, que elas se transformam em uma máquina de destruição ambulante, mesmo que já não esteja no ambiente gerador de estresse, ou mesmo se esse ambiente já tenha se desfeito. Como resultado, criaturas monstruosas de nossas fantasias estão virando criaturas de carne e osso. Crises socioeconômicas, desorganização urbana, drogas, corrupção engendram personalidades aterradoras, que são capazes de matar alguém como quem quebra um ovo para fazer um omelete; e, se divertem gerando terror e pânico na sociedade. Esse ambiente de violência não é privilégio brasileiro não. Assistimos em todo o mundo, a uma epidemia de ameaças, desgraças e destruição sem precedentes na história da humanidade, um espectro assustador a abranger do terrorismo suicida a lideranças políticas, que usam o poderio militar e tecnológico a seu alcance para ameaçar ou atacar os obstáculos de suas intenções hegemônicas.
            Disse Albert Einstein certa vez, que se existisse uma terceira guerra mundial, ela seria tão destrutiva, que se restassem homens na terra para guerrear uma quarta guerra mundial essa seria uma batalha lutada com pedaços de pau e pedra, pois somente isso nos restaria, tão destrutiva é nossa tecnologia atual... ele era um cientista, não um vidente... e não é que o que ele disse a tantos anos, ainda parece muito atual?

segunda-feira, 8 de abril de 2013



O Complexo de Atlas
Para você que costuma carregar o Mundo nas costas!
            De acordo com a mitologia grega, Atlas foi m titã, de tamanho descomunal, que recebeu a difícil tarefa de sustentar o mundo. Com uma expressão de agonia, o gigante vivia curvado sob o peso de céus e Terra. Uma antiga lenda que se tornou uma metáfora do nosso cotidiano.
            Atualmente, não só carregamos o mundo nas costas, como percebemos o tempo se esvaindo e a rotina nos massacrando. O dia é cada vez mais curto para tantas atividades, dormimos mal e nos alimentamos mais precariamente ainda, esquecendo o significado da palavra “prazer”. Assim nos sentimos quando estamos estressados.
            Atlas é o nome de nossa primeira vértebra, aquela que “sustenta” nossa caixa craniana. Perfeita sintonia com o Titã que recebeu como castigo por sua rebeldia a pena de ter que suportar nos ombros o peso do mundo. O mundo que é nosso não é o mundo físico de Atlas, mas um mundo que está representado em nosso pensamento, “dentro” de nossa cabeça, dentro do mundo suportado pelo nosso Atlas. Não é a toa que essa é uma região mais frequentemente associada às tensões da vida. Ela segura o mundo do nosso pensamento e o mundo que representa a vivência de nossa vida exterior. É lá que tudo se passa, é lá que nosso Atlas está condenado a assim viver até “o fim da eternidade”.
            A vida moderna e o estresse relacionam-se intimamente. A doença penetra fundo na sociedade, como provam as inúmeras expressões de nosso vocabulário. Quem já não ouviu alguém dizer que “se virou em dois” para conseguir dar conta de um trabalho? Há os que “fazem das tripas coração” para suportar perdas, reunir forças e prosseguir. Para sobreviver “matamos um leão por dia”, “vendemos a alma ao diabo”, “enfiamos os pés pelas mãos, ou “passamos por cima de todo mundo”. Incríveis malabarismos que somos obrigados a fazer nos momentos de sufoco e estresse!
            Sabemos sobre o custo de tamanho esforço. Todos acabamos “estourados”, de tanto trabalhar. Se o trabalho mental é excessivo, pode “cozinhar os miolos”, deixar a “cabeça cheia” ou até “dar um nó na cabeça”. Os efeitos da vida estressante sobre os órgãos humanos são, igualmente, nossos velhos conhecidos: o “nó também pode ser nas tripas”; o coração, “sair pela boca”; o peito “ficar apertado”; ou “faltar ar nos pulmões. Alguns, até, recebem uma punhalada pelas costas – sem dúvida o jogo está ficando perigoso.
            O mal invisível rouba nossa energia, deteriora nossas relações e deixa-nos desprotegidos. Somos “sugados” pelo trabalho, “massacrados” pela rotina, “esmagados” por uma “forte pressão”. É comum ouvirmos queixas como a de sentir a “cabeça vazia”, viver “arrastando-se, estar com a “língua de fora”, “acabado” ou “quase morto”.
Não seria hora de parar um pouco e voltar-se para si mesmo? Que tal cuidar um pouco melhor de você? Reflita um pouco se realmente vale a pena carregar o mundo nas costas... eu acredito que não valha!






terça-feira, 12 de março de 2013


A maioria das pessoas vive uma vida calma, sem alarde, ao passarem por este mundo. Para a memoria, ao desfilar por uma avenida, não serão jogados papéis picados do alto dos edifícios, nem monumentos serão erguidos. Mas isso não diminui nosso impacto possível sobre o mundo, pois há centenas de pessoas esperando por alguém exatamente como nós; pessoas que admirarão nossa compaixão, nosso encorajamento, que precisarão de nossos singulares talentos. Alguém que viverá uma vida mais feliz só porque dedicamos tempo suficiente para que partilhassem do que tínhamos para dar.

quinta-feira, 7 de março de 2013

.... no final das contas o maluco sou eu!

Às vezes me pergunto: será que parei no tempo? Será que eu é que sou muito careta? Será que usar drogas é algo tão comum que as pessoas já nem ligam mais?
Eu trabalho em uma ONG que fica próxima a minha casa, por isso, decidi deixar o carro na garagem e caminhar um pouco todos os dias. 

Para chegar ao trabalho passo por uma praça, aliás, uma praça que conheço bem, passei muito da minha infância andando de bicicleta nela.
Eis que constato o seguinte, todas as tardes, quando volto para casa, sempre tem um grupo de adolescentes fumando maconha na praça, não sei se é sempre o mesmo grupo, mas percebo que ele sempre aumenta, é um grupo bem misto, onde existem meninos e meninas, isso é diário; e, não só eu, mas provavelmente todas as pessoas que passem por lá também vejam essa cena e sintam o cheiro da droga que se espalha pelo ar.
Parece uma coisa “normal” para as pessoas, já presenciei mães passeando com carrinhos de bebê na praça bem próximo de onde esses grupos fazem uso da maconha. Cheguei a pensar que, quem sabe as mães não soubessem que esses jovens estavam fumando maconha... mas não vou tentar tapar o sol com a peneira né, o cheiro é muito forte e facilmente percebido.
Todo mundo vê, todo mundo sabe, realmente eles não incomodam ninguém, pelo menos nunca os vi fazendo algazarras, vandalismos ou qualquer outro tipo de comportamento inadequado a não ser fumar maconha. 

Mas aí eu pergunto: está certo? É normal mesmo? Você que está lendo esse artigo não se incomodaria se houvesse uma pessoa fumando maconha do seu lado? Dessa vez sou eu quem pede o conselho. 

Gostaria que vocês me respondessem, vocês encaram isso com “normalidade”?
Outro dia passávamos eu e minha noiva pelo Supermercado, costumamos deixar o carro em um estacionamento secundário, pois fica mais fácil para darmos as volta e ir pra nossa casa. 

Muitas vezes percebi que havia ali um grupo, que também sempre estava fumando maconha. Certo dia achei que aquilo estava passando do limite, pois por ali passavam crianças, pessoas idosas e a galera fumando maconha ali livremente na frente de todos. 

Eis que resolvo ligar pra a polícia, a pessoa que me atendeu, prontamente me perguntou se eles estavam vendendo drogas, disse que acreditava que não, pois só os vi usando. Então a atendente me disse que eu deveria ligar para outro número o 181, pois aquele assunto não dizia respeito a eles... estranhei, pois pra mim quem cuida desses tipo de problema é a polícia. Eis que liguei para o outro número e a pergunta foi a mesma: eles estão vendendo drogas? Expliquei novamente com toda paciência. A atendente me disse que essa não era uma prioridade, mas que assim que possível mandaria uma viatura da polícia até o local. 

Confesso que fiquei revoltado com o descaso das autoridades. Não quero aqui bancar o moralista, nem o “caretão”, mas eu não quero que meus filhos cresçam em um mundo onde usar drogas a qualquer hora e em qualquer lugar seja normal, afinal todos sabemos o tamanho dos estragos que a droga pode causar. 

Tenho muitos casos clínicos onde é perceptível a escalada que se faz com a droga, normalmente começa com o uso abusivo de álcool, depois maconha e muitos, após a maconha passam a usar drogas mais fortes como crack e cocaína. Não que a maconha seja uma droga que cause menos estrago, pelo contrário, a maconha é classificada como uma droga “perturbadora do sistema nervoso central”, assim como outros alucinógenos como acido lisérgico (LSD) ou psilocibina (substância encontrada em alguns cogumelos).
Rapidamente o usuário de maconha que ler isso vai dizer: é mentira, maconha não causa alucinações. Aí lhe conto meu amigo, causa sim, o problema é que a maconha que te vendem é de péssima qualidade, misturada sabe-se lá com o que. Tipos de maconha selecionados como o “sakak” são a prova do poder alucinógeno da maconha.
Pessoas que tenham uma estrutura de personalidade, ou uma certa tendência a desenvolver transtornos psiquiátricos do tipo “psicóticos” com o uso de maconha, desenvolvem os sintomas muito mais rápido. 

O principal deles é a esquizofrenia. Pesquisas mostram que uma grande porcentagem de esquizofrênicos, teve seu primeiro episódio agudo causado por uso de maconha. Lembrando que a substância ativa da maconha, o Delta 9 Tetrahidrocanabinol, não é só fumado, pode ser comido, em forma de bolos ou outros alimentos, dessa forma ela se potencializa ainda mais, favorecendo a aparição desse tipo patologia.
Leitores, me deem uma luz! Isso é “normal” mesmo? As autoridades não se preocupam com isso mesmo? No final das contas o maluco sou eu?